Why you are so far away from me ?

Nem sempre amamos da mesma forma, nem com a mesma intensidade e disposição. Esta muda com as pessoas e com o tempo que as envolve. Nem sempre estamos disponíveis a dar todo o nosso amor - que se encontra num espaço do nosso coração - a quem o conquistou; há dias em que este está cansado, triste e sem vida e esconde-se por detrás do nosso peito. Ele sente tudo. Não só a dor, mas também a ausência, a fragilidade e a insegurança. Todos estes pontos distintos do mesmo sentido mas todos com um ponto em comum: fazem doer o coração. Entristecem-o e não o deixam lutar. Já te disse que o coração também chora? Chora muito como eu. Já alguma vez te sentaste á janela numa noite de lua cheia a escutar as lágrimas do teu coração? Eu já, ouvi-o a derramar tantas e tantas lágrimas de sentimentos que o evadiam. Não era só a ele que o fazim chorar, eu não era imune a este estrago, também faziam com que eu chorasse por não os conseguir descrever nas palavras que eram escritas para ti, principalmente. Há coisas assim, que são impossíveis serem descritas, só são sentidas e por algumas pessoas. Os corações têm destas coisas, não servem só para sentir as boas emoções, as más, aquelas que nos entristecem também lhes pertencem. Há quem não o saiba ouvir - como tu - imagino. Vejo que me esqueci de te ensinar como o fazer. Não é um dom, qualquer um de nós o pode fazer. Até tu, que vives revoltado com tudo e todos. Não é preciso o mundo fazer silêncio para conseguires ouvir a bater; basta estares em silêncio contigo próprio. Tens que o sentir bater e saber interpretar a alternância dos seus batimentos ao som do mesmo. Não é difícil. Há corações de todos os tipos. Pequenos em que neles só há lugar para uma pessoa, e depois há aqueles grandes onde estão alojadas várias. O que estes últimos não sabem, é que o coração não é um hotel para caber nele várias almas. Há corações apaixonados que batem suavemente, num batimento quase imperceptível, e há aqueles que quase saltam quando o amor lhes invade. Há corações de todos os tipos. Há aqueles cheios de amor para dar e têm o azar de se apaixonar por aqueles que pouco lhes têm para oferecer. Ainda assim, esses continuam a amar independentemente da distância, da ausência dos corpos, do frio das noites que passam sozinhos, da insegurança que lhes causam e de toda a dor que lhes proporcionam. A este tipo, dou-lhes o nome de Corações Fortes. Chamo-os assim porque sabem amar por dois, dão todo o amor que têm e não esperam receber a mesma intensidade em troca, porque acreditam que o seu amor chega para envolver aos dois. Chamo-os assim sobretudo por não desistem de amar quando as facadas ao coração começam a ser entregues de bandeja de uma maneira cruel e com alguma regularidade. Depois ainda há aqueles que sabem amar mas que não o demonstram. Vivem atrás da carapaça de carangueijo que lhes rodeia, impossibilitanto-os de mostrar aquilo que realmente sentem. São corações fechados a sete chaves e é raro aquele que entrega a chave a alguém. Muitos destes morrem sem mostrar o amor que têm no interior, sem mostrar aquilo que realmente são e aquilo que têm para dar. São corações frios, gélidos até, porque nunca deixam que lhes mostrem o calor que sentem ao serem amados. É impossível amar aquilo que não se conhece, e estes nunca o são porque vivem atrás do medo sem nunca conseguirem conhecer as suas consequências. Ainda existe um outro tipo, há aqueles que dão amor a toda a gente, os Solidários, digo eu. Dão amor sem nunca o dar na totalidade, se é que me entendes. Gostam mas não amam ninguém. Podem gostar de várias formas, com várias cores, com novas sensações, com diferentes espíritos, mas nunca conhecerão a sensação de sentir que « é aquele/a». E não o sabem, porque vivem iludidos que a vida é curta e que o que têm é para dar e distribuir por toda a gente. Desta singularidade de corações, poucos são aqueles que sabem o que é o amor. Ainda assim, são ainda mais raros, aqueles que amam e que se deixam amar; que encontram a sua outra metade. Mas quando a encontram, não são capazes de deixar de entregar amor aos tantos outros que existem por ai. Sabem que amam um só coração, mas gostam de gostar de vários. Estranha combinação de palavras, não achas? Também eu o acho, mas és tão tu, desculpa a minha frontalidade. O meu coração talvez não pertença inteiramente a nenhum destes tipos que enunciei. Tem partes de todos eles, na minha opinião. Ama com tudo o que tem e bate por si só por aquele único coração que se apaixonou, sem nunca esperar receber nada em troca; não desiste quando alguém o fere em demasia, não deixa que o sangue deixe voar todo o amor que tem guardado nele; ainda assim esconde-se de todos os outros corações que possa encontrar no seu caminho, e fica sempre á reta-guarda, porque tem medo dos outros tipos que não conhece e não está habituado a lidar; só mostra que ama, quando se sente invadido por toda aquela tranquilidade de espírito, por todo o bem estar que lhe proporciona, e quando lhe mostra segurança. Ainda há corações que são assim. Cada um têm o seu e são poucos aqueles que são iguais. Iguais iguais só existem aos pares, aqueles que se encaixam como duas metades. Hoje em dia ainda há quem tenha essa tal sorte que aqui refiro. Quanto a mim, sou uma sortuda, encontrei a metade que me pertencia depois de uma tentativa de encaixe falhada, ainda assim não desisti; e lutei contra as evidências do puzzle dos corações. Tentei adaptar o meu ao dele, tentei de tudo, e só agora percebo o quanto agi em vão. Os corações não podem ser forçados, estes encaixam-se por si próprios sem qualquer força da nossa parte. E encontram-se contra todas as evidências e nos locais mais improváveis, porque é assim que tem que ser. Quanto a ti, espero que um dia, possas ter a mesma sorte que eu, espero que encontres a tua outra metade - que agora ambos sabemos que não está comigo - e que não tenhas medo do amor que te mostrem, tal como sempre tiveste daquele que eu te insistia em mostrar.

You're still the one i want (..)

Sem comentários: