Gostava que estivesses comigo, precisamente agora que mais preciso de ti. Gostava até que nunca me tivesses abandonado, que não te tivesses ido embora, que não tivesse que me despedir de ti. Gostava que pudesses ficar aqui, ao pé de mim, que não me deixasses ao sair por aquela porta ali ao fundo. E realmente gostava de não ficar a tua espera, de não ter a estúpida ideia de pensar que tu vais voltar, um dia, quando não vais. É totalmente improvável e sabemos os dois isso, mas mesmo assim gostava de não o saber. Gostava de perceber-te, de conseguir entender isso que tens dentro do teu peito, gostava de saber o que ele te diz e se as decisões que tomas por ele são comandadas. Gostaria de entender-te, pois tal como tu não me entendes, tal como tu não queres entender-me eu simplesmente não consigo, e acredita que não é por não tentar. Pois já tenho mil tentativas e essas não deram certo, são tentativas falhadas, e eu tomo-as como tal mas, como vês não desisti. Já cometi erros, disse-te coisas que talvez não quisesses ouvir, coisas que não quis dizer mas que também não fora obrigada a fazê-lo. Fiz-te promessas e ao contrário de ti, não consegui cumpri-las, não porque não quis, mas sim porque não consegui, não sozinha. Eram o meu dever, eu sei, mas não consegui.
Sabes, um dia pego no telemóvel e ligo-te, aproveito e digo-te tudo o que deixei por dizer. Digo-te o quanto gostava de ti e o quanto estava disposta a correr o mundo contigo. Explico-te que podia dar-te todo o amor que precisavas, mas acho que o problema começa exactamente aqui. Nunca te contentaste com o amor de apenas uma rapariga, tens e sempre tiveste necessidade de te infiltrar no coração de várias. E é interessante que sempre conseguiste entrar no coração daquelas que querias, julgo eu. Ficas um pouco, experimentas e depois quando sabes que elas te queriam ao seu lado, vais embora, sem olhar para trás, não te importas se as estás a magoar ou não. Para estas coisas sempre tiveste o coração gelado, apesar de não te considerar de todo uma má pessoa. Um dia, talvez te conte tudo o que fiz por ti e que não sabes. Talvez te conte todos os sonhos que tive contigo e as vezes em que acordei a pensar em ti. Talvez te explique que a forma que arranjei para tentar ultrapassar as saudades que me causavas foi chorar. Chorar por algo que não vale a pena, realmente muito útil não é ? E isto sem te contar todas as vezes em que fui invadida por um arrependimento profundo, por todas as coisas que podia ter feito e não fiz, por tua culpa. Sabes meu amor, é que ainda existem pessoas assim como eu, que não conseguem ter nada com ninguém excepto com a pessoa que - pela mínima razão - lhes ficou gravada no coração, por mais que fosse essa a sua vontade, e acredita que era a minha. O meu coração precisa de tempo e força de vontade para conseguir esquecer, para ter o seu dia D do coração. E cada vez me preocupa mais esse dia continuar ai perdido no tempo, sem parecer ter hora de chegada. Gostava que ele se encontrasse próximo, para ficar bem comigo mesma e para conseguir procurar alguém que venha preencher o espaço que um dia eu te quis dar. Um destes dias digo-te tudo o que penso e que por uma razão ou outra nunca te cheguei a dizer.
P.s: eu amo-te.

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