Ensina-me, porque eu também quero aprender.

Todas as tuas palavras foram levadas pelo vento e desde já algum tempo que predomina sim, o silêncio. Tanto tempo, que já quase nem me lembro do tom alegre da tua voz. Sempre admirei essa tua maneira de lidar com as coisas, por mais problemas que tivesses andavas sempre com um sorriso na cara, sabes? Trazias sempre contigo uma alegria inigualável. Nunca te deixavas abater e mantinhas sempre essa postura de rapariga forte bem-disposta e de bem com a vida, mesmo que as coisas não fossem bem assim. Já eu sou exactamente o oposto, ao primeiro problema deixo-me abater, não me esforço por mostrar um sorriso, nem por manter a postura diante de qualquer situação e deprimo ao mínimo pormenor. Tenho pena de não conseguir levar a vida como tu, acredita, mas acho que o pessimismo me corre nas veias e assim sendo não há nada a fazer. Sou das pessoas mais fáceis de interpretar, visto que quem me conhece apenas um bocadinho com grande facilidade consegue perceber qual o meu estado de humor, enquanto tu permaneces sempre igual e apenas quem te conhece realmente muito bem e há muito tempo consegue perceber quando o que demonstras não é verdade. Existe outra grande diferença entre nós, eu sei o que quero, é rara a situação em que me sinto baralhada, já tu na grande parte das decisões que tens a tomar dizes-te confusa. Cometes os erros, sempre com certezas que os podes reparar, julgaste dona do tempo, mas não o és, ninguém o é. E acredita que mais cedo do que julgas ainda vais ter uma prova viva do que te estou aqui a escrever.

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