Até que
ponto é que ias deixar continuar-me a iludir, dizendo-me que o que sentias por
mim era recíproco? Se calhar confundiste tudo, nada do que sentias por mim
fazia sentido no teu mundo. Era um sentimento que te ultrapassava por completo,
que nem tu próprio conseguias lidar com tamanha grandiosidade. Agora tenho
plenas certezas, que o amor que te dei foi um exagero autêntico. Expus-me
demasiado a ti, partilhei demasiadas coisas intimas, que só a mim me diziam
respeito, mas as quais eu quis partilhar contigo. Tinhas o teu mundo, e durante
este tempo todo eu fui uma convidada presente e assídua. Não havia outro sítio
que eu não quisesse pertencer, se não aquele a que me convidaste a entrar.
Ultimamente acho que tens confundido amizade com amor, eu ensinei-te que eram
coisas bastantes distintas. Ensinei-te tudo o que sabia, e tu pareces ter
aprendido, mas na prática, nunca conseguiste levar essa aprendizagem para a
frente. Combinávamos ficar pela amizade, mal sabíamos que nada disto pode ser
combinado e descombinado, mas tu confundias tudo, as palavras que escolhias
para mim não eram as típicas de uma amizade. Baralhaste tudo, e com os teus
atos baralhaste-me a mim também. Como é que conseguiste descodificar o que sentias de um dia para o outro? Ensina-me,
porque eu também quero aprender.
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