'desculpa-me, mas não consigo olhar para dentro do meu coração sem te ver lá, mesmo que tenhas acabado por escolher outro caminho'

Todos os dias acordo com uma estranha sensação. Sinto que algo não está bem, que tenho de novo o coração nas mãos e não consigo perceber o porquê. Pergunto-me se terei sonhado contigo, mas não me consigo lembrar. Ainda entre o sono e a realidade julgo ouvir algo que me soa familiar, não tendo ainda total noção do que era, deixei-me ficar em silêncio. Percebi pouco depois que se tratava de uma música, mas não era uma música qualquer, era a nossa música. Deixo-me ficar calada enquanto a oiço. Para além de memórias e recordações trouxe também uma mistura de sentimentos, incluindo as enormes saudades que tenho tuas e que me esforço por manter escondidas, bem no fundo do meu coração. Fecho os olhos outra vez e vejo que te diriges a mim, sem mais nem menos dou por mim envolvida nos teus abraços, que me abraçam e depois oiço-te sussurrar ao meu ouvido que tens tido saudades minhas e que tencionas nunca mais me voltar a deixar, porque tal como tu és meu, eu também te pertenço. Abro os olhos repentinamente, percebendo que tinha sido este o sonho, era este o motivo da minha angústia matinal e não era a primeira vez que isto acontecia. Até estas quatro paredes que costumavam ser o lugar mais seguro do mundo, antes de te conhecer, se tornavam agora alvo de grandes confusões e inúmeras inseguranças. Acordo contigo na cabeça, fecho os olhos e vejo-te de novo em memórias que mantenho guardadas, mas eu não tenho culpa, por mim não era assim. Eu não me lembro de ti por escolha própria, é a minha consciência que te trás de volta ao meu pensamento e julgo que o motivo é a enorme falta que me tens feito. Eu esforço-me por te tirar da minha cabeça, mas o meu coração insiste em trazer-te de volta em memórias e recordações que guardei e isso magoa-me, magoa-me tentar esquecer-te e não conseguir, mas não posso continuar assim.

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